MEDITAÇÕES DIÁRIAS: PRIMEIRA SEMANA APÓS A PÁSCOA

Meditação matinal:  "ESTA É A VITÓRIA QUE VENCE O MUNDO, A NOSSA FÉ"

     Uma balança falsa está em suas mãos. - (Oseias xii., 7). Nessas palavras, o Espírito Santo nos adverte a não sermos enganados pelo mundo, porque o mundo pesa seus bens em uma balança falsa; devemos pesá-los na verdadeira balança da Fé, que nos mostrará quais são os verdadeiros bens. Oh, quão miserável eu tenho sido, Senhor, por ter, por tantos anos, seguido as vaidades do mundo e deixado a Ti, o Soberano Bem!

Meditação I:
     O pensamento da vaidade do mundo e de que todas as coisas que o mundo valoriza não passam de falsidade e engano fez com que muitas almas decidissem se entregar totalmente a Deus.  Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? - (Mt. xvi., 26). Quantos jovens essa grande máxima do Evangelho levou a deixar parentes, país, posses, honras e até coroas, para se fecharem em claustros ou desertos e pensarem somente em Deus! O dia da morte é chamado de dia da destruição: O dia da destruição está próximo. - (Deut. xxxii., 35). É um dia de destruição, porque todos os bens que adquirimos na Terra devem ser deixados no dia de nossa morte. Por isso, Santo Ambrósio diz sabiamente que chamamos falsamente esses bens de nosso coisas boas, pois não podemos levá-las conosco para o outro mundo, onde devemos morar para sempre. Somente nossas ações sagradas nos acompanham, e somente elas nos confortarão na eternidade.
     Todas as fortunas terrenas, as mais altas dignidades, o ouro, a prata, as joias mais preciosas, quando contempladas do leito da morte, perdem seu esplendor; a sombra escura da morte obscurece até mesmo cetros e coroas, e nos faz ver que tudo o que o mundo valoriza não passa de fumaça, pó, vaidade e miséria. E, na verdade, no momento da morte, que proveito há em todas as riquezas adquiridas pelo moribundo, se nada lhe pertence após a morte, exceto uma caixa de madeira, na qual ele é colocado para se corromper? Para que servirá a alardeada beleza do corpo se dele restar apenas um pouco de poeira poluída e quatro membros sem carne?
     O que é a vida do homem na Terra? Veja como ela é descrita por São Tiago: É um vapor que aparece por um pouco de tempo e depois passa. - (Tiago iv., 15). Hoje, esse grande homem é estimado, temido e louvado; amanhã, ele será desprezado, julgado e maltratado.  Vi o ímpio muito exaltado e elevado como os cedros do Líbano. E passei por ele, e eis que não estava! - (Sl. xxxvi., 35, 36). Ele não se encontra mais em sua amada casa, nesse grande palácio que construiu; e onde está ele? Tornou-se pó na sepultura!
     Uma balança falsa está em suas mãos. - (Oseias xii., 7). Com essas palavras, o Espírito Santo nos adverte para não sermos enganados pelo mundo, porque o mundo pesa seus bens em uma balança falsa; devemos pesá-los na verdadeira balança da fé, que nos mostrará quais são os verdadeiros bens que nunca acabam. Santa Teresa disse que nunca devemos levar em conta nada que termine com a morte. Ó Deus, que grandeza restou àqueles muitos primeiros ministros de Estado, comandantes de exércitos, príncipes, imperadores romanos, agora que a cena mudou e eles se encontram na eternidade!  A memória deles se extinguiu com um ruído. - (Sl. ix., 7). Eles fizeram uma grande figura no mundo, e seus nomes ressoaram entre todos; mas quando morreram, mudaram para eles o posto, o nome e tudo o mais. É útil notar aqui uma inscrição colocada em um certo cemitério no qual muitos grandes homens e mulheres estão enterrados: "Veja onde termina toda a grandeza, toda a pompa terrena, toda a beleza. Vermes, poeira, uma pedra sem valor, um pouco de areia, fecham a breve cena no fim de tudo."
     Oh, quão miserável eu tenho sido, Senhor, por ter seguido por tantos anos as vaidades do mundo e ter Te deixado, o Soberano Bem! 

Meditação II:
     


Leitura espiritual:  CONFISSÃO 

VI. ILUSÕES E MEDOS VÃOS


Meditação noturna:  A PRÁTICA DO AMOR DE JESUS CRISTO  

V. COMO JESUS CRISTO É MERECEDOR DE NOSSO AMOR POR CAUSA DO AMOR QUE ELE NOS MOSTROU EM SUA PAIXÃO

Meditação I:
     O bem-aventurado João de Ávila, que era tão apaixonado pelo amor de Jesus Cristo que nunca deixou de falar em nenhum de seus sermões sobre o amor que Jesus Cristo tem por nós, em um tratado sobre o amor que esse amorosíssimo Redentor tem pelos homens, expressou-se em sentimentos tão cheios do fogo da devoção e de tanta beleza que desejo inseri-los aqui. Ele diz:
     "Tu, ó Redentor, amaste o homem de tal maneira que aquele que reflete sobre esse amor não pode fazer menos do que Te amar; pois Teu amor oferece violência aos corações, como diz o Apóstolo: A caridade de Cristo nos pressiona. - (2 Cor. v., 14). A fonte do amor de Jesus Cristo pelos homens é Seu amor por Seu Pai Eterno. Por isso, Ele disse na Quinta-feira Santa: Para que o mundo saiba que eu amo o Pai, levante-se, vamos embora. - (João xiv., 31). Mas para onde? Para morrer pelos homens na cruz!
     "Nenhum intelecto humano pode conceber a intensidade com que esse fogo arde no Coração de Jesus Cristo. Assim como Lhe foi ordenado que sofresse a morte uma vez, se Lhe tivesse sido ordenado que morresse mil vezes, Seu amor teria sido suficiente para suportá-la. E se o que Ele sofreu por todos os homens tivesse sido imposto a Ele para a salvação de cada alma, Ele teria feito o mesmo por cada uma em particular como fez por todas. E assim como permaneceu três horas na cruz, se fosse necessário, Seu amor O teria feito permanecer ali até o Dia do Juízo. De modo que Jesus Cristo amou muito mais do que sofreu. Ó amor divino, quão maior eras do que parecias ser exteriormente, pois embora tantas feridas e contusões nos falem de grande amor, ainda assim não falam de toda a sua grandeza. Havia muito mais em Seu interior do que aquilo que aparecia externamente. Isso era apenas uma centelha que saía do vasto oceano de amor infinito. A maior marca de amor é dar a vida por nossos amigos. Mas, para Jesus Cristo, essa não era uma marca suficiente para expressar Seu amor."

Meditação II:      

(25 de abril)

Meditação matinal:  "O SENHOR É PEQUENO E MUITO DIGNO DE SER AMADO"

     O Filho de Deus desejou apresentar-se sob a forma de uma doce criancinha para que, assim, pudesse atrair para Si o amor dos homens com mais facilidade e força. As criancinhas, por si mesmas, são amadas imediatamente. Vê-las e amá-las é a mesma coisa. Assim, então, nasceria Aquele que desejava ser amado e não temido.

Meditação I:
     "Ó almas", exclama São Bernardo, "amai este Menino, pois Ele é extremamente digno de ser amado!"  O Senhor é grande e muito digno de ser louvado. - (Sl. cxliv., 3). "O Senhor é pequenino e muito digno de ser amado!" Sim, diz o Santo, esse Deus existe desde toda a eternidade e é digno de todo louvor e reverência por Sua grandeza, como cantou Davi: O Senhor é grande e merece ser louvado!  Mas agora que O vemos se tornar um pequeno bebê, precisando de leite e incapaz de se mover, tremendo de frio, gemendo e chorando, procurando alguém que O pegue, aqueça e conforte; ah, agora Ele realmente se torna o mais querido de nosso coração! "O Senhor é pequenino, e muito digno de ser amado!"
     Devemos adorá-Lo como nosso Deus, mas nosso amor deve acompanhar o ritmo de nossa reverência a um Deus tão amável, tão amoroso.
     São Boaventura nos lembra que uma criança encontra seu prazer em outras crianças, em flores e em estar nos braços. O significado do Santo é que, se quisermos agradar a esse Divino Infante, também devemos nos tornar crianças, simples e humildes; devemos levar a Ele flores de virtude, de mansidão, de mortificação, de caridade; devemos abraçá-Lo com nosso amor.
     E, ó homem, acrescenta São Bernardo, o que mais você espera ver antes de se entregar totalmente a Deus? Veja com que trabalho, com que amor ardente, seu Jesus desceu do céu para buscá-lo. Ouça, continua ele, como, mal tendo nascido, Suas lamentações o chamam, como se Ele quisesse dizer: Ó alma, ó alma, é a ti que procuro; por ti, e para obter teu amor, vim do céu à terra.
     Ó Deus, até mesmo os próprios brutos, se lhes fizermos uma gentileza, se lhes dermos alguma bagatela, ficam tão gratos por isso que se aproximam de nós, fazem nossas vontades à sua maneira e demonstram sintomas de alegria com nossa aproximação. E como é possível, então, que sejamos tão ingratos para com Deus, o mesmo Deus que nos concedeu todo o Seu Ser, que desceu do Céu à Terra e se tornou uma criança para nos salvar e para ser amado por nós? Venham, então, amemos o Menino de Belém, é o grito extasiado de São Francisco; amemos Jesus Cristo, que procurou, em meio a tantos sofrimentos, unir nossos corações a si.
     Santo Agostinho diz: "Foi principalmente por essa razão que Jesus Cristo veio, para que o homem soubesse o quanto Deus o ama".
     Mas, meu Jesus, mesmo agora que Tu vieste, quantos homens existem que realmente Te amam? Desgraçado que sou, Tu sabes como Te amei até agora! Tu sabes o desprezo que tive por Teu amor! Oh, se eu pudesse morrer de tristeza por isso! Eu me arrependo, meu querido Redentor, de ter Te desprezado. Ah, perdoe-me e dê-me a graça de amá-Lo!

Meditação II:
     And for love of Jesus Christ we ought to love our neighbours, even those who have offended us.  The Messias is called by Isaias, Father of the world to come. — (Is. ix. 6).  Now, in order to be the Sons of this Father, Jesus admonishes us that we must love our enemies, and do good to those who injure us: Love your enemies, do good to them that hate you . . . that you may be the children of your Father who is in heaven. — (Matt. v. 44, 46).  And of this He Himself set us the example on the Cross, praying His Eternal Father to forgive those who were crucifying Him.
     “He who pardons his enemy,” says St. John Chrysostom, “cannot but obtain God’s pardon for himself”; and we have the Divine assurance of it: Forgive and you shall be forgiven. — (Luke vi. 37).  There was a certain Religious who otherwise had not led a very exemplary life, but who at death bewailed his sins not without great confidence and joy, “because,” said he, “I have never avenged an injury done me.”  As much as to say: It is true that I have offended the Lord, but He has engaged to pardon him who pardons his enemies; I have pardoned all who offended me, so then I am confident God will likewise pardon me.”
     But pardon is not enough for me, O my Jesus; Thou dost merit my love.  Thou hast loved me even unto death; unto death will I also love Thee.  I love Thee, O Infinite Goodness, with all my soul; I love Thee more than myself.  I love my neighbour for the love of Thee.  Yes, my Jesus, I love Thee; I will always love Thee, my Treasure, my Life, my Love, my All.


Leitura espiritual:  CONFISSÃO 

VII. DÚVIDAS

     I do not wish that any soul be disturbed by what has been said in regard to concealing sins through a false shame.  What I have said is applicable only to those who have a consciousness of grievous and certain sins, and who, through shame, will not confess them.  With regard to doubts, which some may have of having committed certain sins, or of having made bad confessions, if they wish to disclose them to a confessor for their greater tranquility, they will do well, unless they have a scrupulous conscience.  For the scrupulous, it is not advisable to confess their doubts.  It may be useful for the timid to know certain doctrines approved by Theologians, that may save them from a great deal of disquiet of conscience, and give them peace of mind.
     First, it is a solid and very probable opinion of Theologians that there is no obligation of confessing doubtful mortal sins, as, for instance, when a person doubts whether he had full advertence, or whether he gave a perfect and deliberate consent.  The divines add that at death there is an obligation either of making an act of perfect contrition lest the doubtful sin should have been really grievous, or to tell, not the doubtful sin, but any certain sin (a venial sin is sufficient), and having lost the grace of God; because it is morally impossible that a person well confirmed in good purposes should be suddenly changed and yield to mortal sin without clearly perceiving that he had consented to it.  For mortal sin is a monster so horrible that it cannot enter a soul that for a long time has abhorred it without producing on the mind a clear knowledge of its entrance into the soul.  This is fully proved in my work on Moral Theology.*
     Secondly, when it is certain that a mortal sin has been committed, and when there is a doubt whether it has been ever confessed, then, if the doubt be a negative one – that is, if there be no reason to judge that it has been confessed – it is certainly necessary to tell the sin in Confession.  But when there is reason to believe, or a well-founded presumption that the sin has been once told, then according to the common opinion of divines, there is no obligation of confessing it.  Hence, divines commonly teach that if a person who has made his general or particular confessions with sufficient diligence doubts whether he has forgotten in confession a certain sin, or circumstance of sin, he is not bound to confess it; because he can prudently judge that it has been already sufficiently confessed.**  He need not confess the sin, though he should feel a great unwillingness to disclose the doubt that tormented him.  But such a person may say: If I were bound to tell such a thing I should feel great shame.  But what does it matter that you are ashamed to tell it?  As long as you are not obliged to confess it be not troubled.  The confession of certain natural actions should also cause shame, but you are not therefore obliged to mention them.  Thus, for example, you are not obliged to confess certain acts of levity or immodest jests that occurred in your childhood without a knowledge of their malice.  Nor is your having done these acts in secret a certain proof of malice; for children do certain natural actions secretly, though these actions are not sins.  Hence we are not bound to accuse ourselves in particular of such things, unless we remember that we committed them with an impression, or at least with a doubt, that they were grievous sins.  It is, then, enough for a person to say within himself: Lord, if I really knew that I was bound to confess these things I would readily confess them, though I should suffer every pain.
     This is intended for the comfort of timorous souls that feel great anxiety arising from a fear that they did not well know how to explain all their doubts in Confession.  But it is useful for all, at least for their humiliation, to make known to their director the doubts by which they are troubled.  I except the scrupulous, for they should not speak of their doubts.  What I would advise is that all would explain to their confessors their passions, attachments, and the causes of their temptations, that he may be able to cut off the roots which, if not extirpated, will never cease to cause temptations, and will expose the soul to great danger of consenting to sin, when it can but will not remove the cause.  It will also be very profitable to some to disclose the temptations that are most humiliating, particularly thoughts against chastity, though there should be no consent.  St. Philip Neri used to say that a temptation disclosed is half-conquered.  I have said that it is very profitable to some: for with regard to others of tried virtue, who are too timid on this point and are always afraid of having consented to sin, it is sometimes useful to forbid them to confess such temptations, unless they are certain of having yielded to them.  For by the very examination that such persons make in order to ascertain whether they have consented or not, and thinking of the manner in which they will explain the temptation, the images of the bad objects presented to the mind become more vivid, and the soul becomes more agitated by repeated apprehensions of consent.  Obey your confessor on this point, and be ruled by his advice.

* Lib. 6. n. 450 et 476.
** Lib. 6. 11. 477.


Meditação noturna:  A PRÁTICA DO AMOR DE JESUS CRISTO  

VI. COMO JESUS CRISTO É MERECEDOR DE NOSSO AMOR POR CAUSA DO AMOR QUE ELE NOS MOSTROU EM SUA PAIXÃO

Meditação I: 
     "Ó Jesus, ladrão de corações, a força de Teu amor quebrou a dureza excessiva de nossos corações! Tu inflamaste o mundo inteiro com Teu amor. Ó Senhor amoroso, inebria nossos corações com esse vinho, consome-os com esse fogo, perfura-os com esse dardo de Teu amor! Tua cruz é de fato uma flecha que perfura os corações. Que todo o mundo saiba que meu coração está ferido! Ó amor mais doce, o que você fez? Você veio para me curar e me feriu. Viestes para me ensinar, mas me deixastes quase louco. Ó loucura cheia de sabedoria, que eu nunca viva sem Ti! Tudo, Senhor, que contemplo na Cruz me convida a Te amar: o madeiro, a figura, as feridas de Teu Corpo; e, acima de tudo, Teu amor me leva a Te amar e nunca mais Te esquecer.

Meditação II:
     But in order to arrive at the perfect love of Jesus Christ we must adopt the means of doing so.  The means which St. Thomas Aquinas gives us: (1) To have a constant remembrance of the benefits of God, both general and particular; (2) To consider the infinite goodness of God Who is ever waiting to do us good, and Who ever loves us and seeks from us our love; (3) To avoid even the smallest thing that could offend Him; (4) To renounce all the sensible goods of this world, riches, honours, and sensual pleasures.  Father Thaulers says that meditation on the Sacred Passion of Jesus Christ is a great means also for acquiring His perfect love.
     Who can deny that, of all devotions, devotion to the Passion of Jesus Christ is the most useful, the most tender, the most agreeable to God – one that gives the greatest consolation to sinners, and at the same time most powerfully enkindles loving souls?  Whence is it that we receive so many blessings, if it be not from the Passion of Jesus Christ?  Whence have we hope of pardon, courage against temptations, confidence that we shall go to Heaven?  Whence come so many lights to know the truth, so many loving calls, so many spurrings to change our life, so many desires to give ourselves to God, as from the Passion of Jesus Christ?  The Apostle therefore had but too great reason to declare him to be excommunicated who did not love Jesus Christ: If any man love not our Lord Jesus Christ, let him be anathema. — (1 Cor. xvi. 22).

Meditação matinal:  PUREZA DE INTENÇÃO

    Na opinião dos homens, o valor de um ato aumenta proporcionalmente ao tempo gasto em sua execução; mas para Deus, o valor de um ato depende da pureza de intenção com que ele é realizado. Os homens olham apenas para o ato externo; Deus considera o coração, ou seja, a intenção com que o ato é realizado.  Porque o homem vê o que parece, mas o Senhor vê o coração. — (1 Kings xvi. 7).

Meditação I:
     A pureza de intenção consiste em fazer tudo com o simples desejo de agradar a Deus. Jesus Cristo disse que, de acordo com a intenção, seja ela boa ou má, nosso trabalho será julgado diante de Deus.  Se o teu olho for simples, todo o teu corpo será luminoso; mas se o teu olho for mau, todo o teu corpo será sombrio. — (Matt. vi. 22, 23).  The olho único significa uma intenção pura de agradar a Deus; o escuro e o mau olhado significa a falta de uma intenção honesta e santa - quando nossas ações são feitas por motivo de vaidade ou pelo desejo de agradar a nós mesmos.
     Pode haver alguma ação mais nobre do que um homem dar sua vida pela fé? E, no entanto, São Paulo diz que aquele que morre por qualquer motivo que não seja o puro desejo de fazer a vontade de Deus, não ganha nada com seu martírio.
     Se, então, o martírio de nada serve a menos que seja suportado somente por causa de Deus, de que valem toda a pregação, todo o trabalho de boas obras e também todas as austeridades dos penitentes, se forem feitos para obter o louvor dos homens ou para satisfazer a própria inclinação?
     O Profeta Aggaeus diz que as obras, até mesmo as mais sagradas, se não forem feitas para Deus, são colocadas em sacos cheios de buracos, o que significa que todas elas se perdem diretamente e que nada de bom resulta delas. Pelo contrário, toda ação feita com a intenção de agradar a Deus, por menor que seja o valor em si, vale mais do que muitas obras grandiosas feitas sem essa intenção pura.
     Lemos em São Marcos que a viúva pobre colocou na caixa de esmolas do templo apenas duas moedas, mas mesmo assim o Salvador disse a respeito dela: Essa pobre viúva deu mais do que todos. — (Mark xii. 43).  St. Cyprian remarks on this, that she put in more than all the others because she gave those two little pieces of money with the pure intention of pleasing God.
     Um dos melhores sinais pelos quais podemos saber se o trabalho de uma pessoa é feito com a intenção correta é o fato de que, se o trabalho não tiver o efeito desejado, ela não ficará nem um pouco perturbada. Outro bom sinal é o fato de que, quando uma pessoa conclui um trabalho e é maltratada por causa dele, ou é retribuída com ingratidão, ela permanece satisfeita e tranquila. Por outro lado, se acontecer de alguém ser elogiado por seu trabalho, ele não deve se inquietar com o medo de se encher de vanglória; mas se tal tentação vier sobre ele, deixe-o apenas desprezá-la em seu coração e dizer com São Bernardo: "Eu não comecei isso por ti, nem por causa de ti eu vou deixá-lo."
     When, O my Jesus, shall I begin to love Thee truly?  Miserable that I am!  If I seek among my works for any that are good – for one work done only to please Thee, my Saviour – I shall not find it.  Alas! then, have pity on me, and suffer not that I continue to serve Thee so ill up to the time of my death.

Meditação II:
     To work with an intention of acquiring more glory in Heaven is good, but the most perfect is the desire to give glory to God.  Let us be sure that the more we divest ourselves of our earthly interest, so much the more will our Saviour increase our joy in Paradise.  Blessed is he who labours only to give glory to God, and to follow His holy will.  Let us imitate the love of the Blessed, who, in loving God, seek only to please Him.  St. Chrysostom says: “If we can attain to the fulfilment of God’s pleasure, what more can we desire?  If thou art counted worthy to do anything that pleases God, dost thou ask any other reward?”
     This is that single eye which pierces the Heart of God with love towards us; as He says to the holy Spouse: Thou hast wounded my heart, my sister, my spouse; thou hast wounded my heart with one of thine eyes. — (Cant. iv. 9).  This single eye signifies the one end that holy souls have in all their actions – that of pleasing God.  And this was the counsel that the Apostle gave to his disciples: Therefore, whether you eat or drink, or whatsoever else you do, do all to the glory of God. — (1 Cor. x. 31).  The Venerable Beatrice of the Incarnation, the first daughter of St. Teresa, said: “No price can be put on anything, however small, that is done entirely for God.”  And with great reason she said this, for all works done for God are acts of Divine love.  Purity of intention makes the lowest actions become precious, such as eating, working, recreation, when they are done from obedience and from a desire to please God.
     We must, then, in the morning direct to God all the actions of the day; and it will be very useful to us to renew this intention at the beginning of every action, at least of the most important, such as Meditation, Communion, and Spiritual Reading – pausing a little in the beginning of these, like the holy hermit who, before beginning anything, lifted his eyes to Heaven and remained still; and when he was asked what he was doing, replied: “I am making sure of my aim.”
     My God, grant me Thy help that what remains of life I may spend only in serving and loving Thee.  Make me overcome all, that I may please Thee, and do all only to fulfil Thy good pleasure; through the merits of Thy Passion, I ask it.  O my great advocate, Mary, obtain for me this grace by thy prayers!

 


Leitura espiritual:  SALVE REGINA, MATER MISERICORDIAE! SALVE, RAINHA SANTA, MÃE DA MISERICÓRDIA!

I. QUÃO GRANDE DEVE SER NOSSA CONFIANÇA EM MARIA, QUE É A RAINHA DA MISERICÓRDIA


Meditação noturna:  A PRÁTICA DO AMOR DE JESUS CRISTO  

VII. COMO JESUS CRISTO É MERECEDOR DE NOSSO AMOR POR CAUSA DO AMOR QUE ELE NOS MOSTROU EM SUA PAIXÃO

Meditação I:
     São Boaventura diz que não há devoção mais adequada para santificar uma alma do que a meditação sobre a Paixão de Jesus Cristo; por isso, ele nos aconselha a meditar todos os dias sobre a Paixão, se quisermos avançar no amor de Deus. "Se você quiser progredir, medite diariamente na Paixão do Senhor; pois nada opera uma santificação tão completa na alma como a meditação da Paixão de Cristo". E antes dele, Santo Agostinho, como relata de Bustis, disse que uma lágrima derramada em memória da Paixão vale mais do que o jejum semanal de pão e água. Portanto, os santos estavam sempre ocupados em considerar as dores de Jesus Cristo: foi por esse meio que São Francisco de Assis se tornou um serafim. Um dia, o santo seráfico foi encontrado derramando lágrimas e clamando em voz alta. Quando lhe perguntaram a causa, ele respondeu: "Eu choro pelas tristezas e ignomínias de meu Senhor; e o que me causa maior tristeza é que os homens, por quem Ele sofreu tanto, vivem esquecidos Dele". E ao dizer isso, ele chorou ainda mais, de modo que esse senhor também começou a chorar.
     Ó Jesus, traga continuamente à minha lembrança, eu Te peço, tudo o que Tu sofreste por mim, para que eu nunca mais me esqueça de Te amar. Ó cordas que ligaram meu Jesus, ligai-me a Jesus; espinhos que coroaram meu Jesus, perfurai-me com o amor de Jesus; pregos que transfixaram meu Jesus, pregai-me na Cruz de Jesus, para que eu possa viver e morrer unido a Jesus. Ó Sangue de Jesus, inebriai-me com Seu santo amor! Ó morte de Jesus, fazei-me morrer para toda afeição terrena!
     Pés perfurados do meu Senhor, eu o abraço! Livrai-me do inferno que eu mereci. Meu Jesus, no inferno eu não poderia mais amá-Lo, e ainda assim desejo amá-Lo sempre. Salva-me, meu querido Salvador; prende-me a Ti, para que eu nunca mais Te perca. Ó Maria, refúgio dos pecadores e Mãe do meu Salvador, socorrei um pecador que deseja amar a Deus e que se recomenda a Vós: socorrei-me pelo amor que tendes a Jesus Cristo.

Meditação II:
     When St. Francis heard the bleating of a lamb, or saw anything which reminded him of the Passion of Jesus, he immediately shed tears.  On one occasion, being sick, he was told to read some pious book.  “My book,” he replied, “is Jesus crucified.”  Hence he did nothing but exhort his brethren to be ever thinking of the Passion of Jesus Christ.  Tiepoli writes: “He who becomes not inflamed with the love of God by looking on Jesus dead upon the Cross, will never love at all.”
     O Eternal Word, Thou hast spent three-and-thirty years in labours and fatigues; Thou hast given Thy life and Thy Blood for man’s salvation; in short, Thou hast spared nothing to make men love Thee; and how is it possible that there should be those who know this, and yet do not love Thee?  O God, among these ungrateful ones I also may be numbered!  I see the wrong I have done Thee; O my Jesus have pity upon me!  I offer Thee this ungrateful heart – ungrateful, it is true, but penitent.  Yes, I repent above every other evil, O my dear Redeemer, for having despised Thee!  I repent, and I am sorry with my whole heart.
     O my soul, love a God Who is bound like a criminal for thee; a God scourged like a slave for thee; a God made a mock king for Thee; a God, in short, dead upon a Cross, as the vilest outcast for thee!  Yes, my Saviour, my God, I love Thee, I love Thee!

Meditação matinal:  CARIDADE PARA COM O PRÓXIMO

     Um ato de caridade realizado para com o próximo será aceito por Jesus Cristo como se fosse feito para Ele mesmo.  Eu digo a vocêdiz o Redentor, se o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. — (Matt. xxv. 40).  St. Catharine of Genoa used to say our love of God is to measured by our love for our neighbour.

Meditação I:
     Amar a Deus sem ao mesmo tempo amar o próximo é impossível. O mesmo preceito que prescreve o amor a Deus impõe uma obrigação estrita de caridade fraternal.  E temos este mandamento de Deus: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão. — (1 John iv. 21).  Hence St. Thomas teaches that the love of God and the love of our neighbour proceed alike from Charity.  For Charity makes us love God and our neighbour, because such is the will of God.  Such, too, was the doctrine of St. John the Evangelist.  St. Jerome relates that being asked by his disciples why he frequently recommended fraternal love, that holy Apostle replied: “Because it is the precept of the Lord, and the fulfilment of it alone is sufficient.”
     Santa Catarina de Gênova disse certa vez ao Senhor: "Meu Deus, Tu me ordenaste que amasse meu próximo; e eu não posso amar ninguém além de Ti". "Minha filha", respondeu Jesus, "aquele que Me ama, ama tudo o que Eu amo". De fato, quando amamos uma pessoa, também amamos seus parentes, seus servos, sua semelhança e até mesmo suas roupas, porque sabemos que ela os ama. E por que amamos nosso próximo? É porque Deus os ama. Por isso, São João diz que Se alguém disser que ama a Deus e odiar a seu irmão, é mentiroso. — (1 John iv. 20).  But as hatred towards our neighbours is incompatible with the love of God, so an act of Charity performed in their regard will be accepted by Jesus Christ as done for Himself.  Amém, eu lhe digodiz o Redentor, se o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes. — (Matt. xxv. 40).  St. Catharine of Genoa used to say that our love of God is to be measured by our love for our neighbour.
     Ah, meu Redentor, como sou diferente de Ti! Você era todo caridade para com Seus perseguidores, e eu sou todo rancor e ódio para com meu próximo. Você orou com tanto amor por aqueles que O crucificaram, e eu imediatamente busco vingança contra aqueles que me ofendem. Ó Deus de amor, dá-me Teu amor.

Meditação II:
     Oh, what a Paradise where Charity reigns!  It is the delight of God Himself.  Behold, says the Psalmist, how good and how pleasant it is for brethren to dwell together in unity. — (Ps. cxxxii. 1).  The Lord looks with complacency on the Charity of brethren and sisters who dwell together in unity, who are united by one will of serving God, and who seek only to sanctify one another that they may be all united one day in the land of bliss.  The highest praise bestowed by St. Luke on the first Christians was that they had but one heart and soul.  And the multitude of the believers had but one heart and one soul. — (Acts. iv. 32).  This unity was the fruit of the prayer of Jesus Christ Who before His Passion besought His Eternal Father to make His disciples one by holy Charity, as He and the Father are one.  Holy Father, keep them in thy name . . . that they may be one as we also are. — (John xvii. 11).  This unity is one of the principal fruits of Redemption, as may be inferred from the prediction of Isaias: The wolf shall dwell with the lamb; and the leopard shall lie down with the kid.  They shall not hurt, nor shall they kill in all my holy mountain. — (Is. xi. 6, 9).  Yes, the followers of Jesus, though of different countries and of different dispositions, shall live in peace with one another, each seeking by holy Charity to accommodate himself to the wishes and inclinations of the other.  (And as a certain author has well remarked, what does a community of religious mean but a union of many by will and desire so as to form but one person?)  It is Charity that maintains union; for it is not possible that all should have congenial dispositions.  It is Charity that unites the hearts of all, and makes them bear one another’s burdens, and conform to the will of each other.
     St. John Climacus relates that in the vicinity of Alexandria there was a celebrated monastery, where, because they loved one another so cordially in holy Charity, all the Religious enjoyed the peace of Paradise.  In general the first that perceived a disagreement between two of the Religious was able to restore peace by a mere sign.  But if they could not be reconciled, both were sent as exiles to a neighbouring house, and were told at their departure that the abode of two demons in the monastery could be no longer profitable to the Community.
     O Lord, abandon me not to my passions.  Give me strength to love and to do good to all who injure me.  For the sake of Thy Blood, O Jesus, permit me not to be separated from Thee, O Mother of God, pray to Jesus for me.


Leitura espiritual:  SALVE REGINA, MATER MISERICORDIAE! SALVE, RAINHA SANTA, MÃE DA MISERICÓRDIA!

II. QUÃO GRANDE DEVE SER NOSSA CONFIANÇA EM MARIA, QUE É A RAINHA DA MISERICÓRDIA


Meditação noturna:  A PRÁTICA DO AMOR DE JESUS CRISTO  

VII. QUANTO JESUS CRISTO MERECEMS PARA SER AMADO POR NÓS POR CAUSA DO AMOR QUE ELE NOS DEMONSTROU AO INSTITUIR O SANTÍSSIMO SACRAMENTO DO ALTAR

Meditação I:
     Jesus, sabendo que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus ... amou-os até o fim. — (John xiii. 1).  Our most loving Saviour, knowing that His hour was now come for leaving this earth, desired before He went to die for us, to leave us the greatest possible mark of His love; and this was the gift of the most Holy Sacrament.  St. Bernardine of Sienna remarks that men remember more continually, and love more tenderly, the signs of love which are shown to them at the hour of death.  Hence it is the custom that friends, when about to die, leave to those persons they have loved some gift, such as a garment or a ring, as a memorial of their affection.  But what hast Thou, O my Jesus, left us, when quitting this world, in memory of Thy love?  Not, indeed, a garment or a ring, but Thine own Body, Thy Blood, Thy Soul, Thy Divinity, Thy whole Self, without reserve.  “He gave thee all,” says St. John Chrysostom; “He left nothing for Himself.”

Meditação II:
     The Council of Trent says that in this gift of the Eucharist Jesus Christ desired, as it were, to pour forth all the riches of the love He had for men.  And the Apostle observes that Jesus desired to bestow this gift upon men on the very night itself when they were planning His death: The same night in which he was betrayed, he took bread; and giving thanks, broke and said: Take ye and eat; this is my body. — (1 Cor. xi. 23-24).  St. Bernardine of Sienna says that Jesus Christ, burning with love for us, and not content with being prepared to give His life for us, was constrained by the excess of His love to perform a greater work before He died; and this was to give His own Body for our Food.
     This Sacrament, therefore, was rightly named by St. Thomas, “the Sacrament of love; the pledge of love.”  Sacrament of love, for love was the only motive which induced Jesus Christ to give us in It His whole Self.  Pledge of love, so that if we had ever doubted His love, we should have in this Sacrament a pledge of it: as if our Redeemer, in leaving us this gift, had said: O souls, if you ever doubted My love, behold I leave you Myself in this Sacrament; with such a pledge you can never any more doubt that I love you, and love you to excess.

Meditação matinal:  CARIDADE EM NOSSOS PENSAMENTOS E SENTIMENTOS

      Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, das entranhas da misericórdia. — (Col. iii. 12).  The followers of Jesus Christ should be clothed, not only with Charity, but with the entranhas da caridadeAssim, em todas as suas ações, devem estar revestidos e envolvidos pela Caridade. Eles devem amar a cada um como se tivessem por cada um deles a mais terna afeição. "A Caridade", diz Santo Agostinho, "não se entristece muito, mesmo quando ela faz coisas boas com os maus".

Meditação I:
     Para praticar a caridade no pensamento, você deve, em primeiro lugar, esforçar-se para banir todos os julgamentos, suspeitas e dúvidas precipitadas. Nutrir uma dúvida precipitada a respeito de outra pessoa é um defeito; dar-se ao luxo de uma suspeita positiva é uma falha ainda maior, e julgar com certeza, sem bases seguras, que outra pessoa pecou é ainda mais criminoso perante Deus. Quem julgar precipitadamente o seu próximo será julgado com severidade.  Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o juízo com que julgardes, sereis julgados. — (Matt. vii. 1).  But although it is sinful to judge evil of others without certain grounds, still it is not a violation of the Divine law to suspect or even to judge evil of them when we have certain motives for such suspicions or judgments.  However, the safest and most charitable rule is to think well of all, and to banish all such judgments and suspicions.  Caridadediz o Apóstolo, não pensa mal. — (1 Cor. xiii. 5).  If by your office you are not charged with the correction of others, endeavour always to judge favourably of all.  St. Jane Frances de Chantal used to say that “in our neighbour we should observe only what is good.”  Should you sometimes through mistake praise in others what is censurable, you will never have reason to repent of your error.  “Charity,” says St. Augustine, “does not grieve much even when she thinks well of the bad.”  St. Catharine of Bologna once said: “I have lived for many years in religion, and have never thought ill of any of my sisters; because I know that a person who appears to be imperfect may be more dear to God than another whose conduct is much more exemplary.”  Be careful, then, not to indulge in observing the defects and concerns of others, nor to imitate the example of those who go about asking what others say of them, and thus fill their minds with suspicions, and their hearts with bitterness and aversions.  Listen not to them who tell you that others have spoken of your defects, and ask not from them the names of those who dispraised you.  In such tales there is, in general, a great deal of exaggeration.  Let your conduct be such as deserves praise from all, but regard not what is said of you.  When told that anyone has charged you with a certain fault, let your answer be that others know you but little; and that, were they aware of all your defects, they would say a great deal more of you; or you may say that only God is to be your judge.

Meditação II:
     When our neighbour is visited with any infirmity, loss, or other calamity, charity obliges us to regret his misfortune at least with the superior will.  I say with the superior will, for concupiscence always appears to take a certain delight in hearing that a calamity has befallen an enemy.  But that delight is not culpable as long as it is resisted by the will.  Whenever the inferior appetite solicits the will to rejoice at the misfortune of others, pay no more attention to its criminal solicitations than you would to a dog that barks without reason; but endeavour to excite in the superior will sentiments of regret at their distress.  It is indeed sometimes lawful to rejoice at the good effects that are likely to result from the temporal afflictions of others.  For example, it is not forbidden to be glad from a motive of his conversion, or of the cessation of scandal, that a notorious and obstinate sinner has been visited with sickness.  However, should he have offended us, the joy occasioned by his infirmity may be the fruit of passion as well as of zeal.  “It may indeed often happen,” says St. Gregory, “that, without losing charity, we rejoice at the ruin of an enemy; and that without incurring the guilt of envy we feel sorrow at his exaltation, when by his downfall we think that others will be justly exalted, and when we fear that by his prosperity many will be unjustly oppressed.”


Leitura espiritual:  SALVE REGINA, MATER MISERICORDIAE! SALVE, RAINHA SANTA, MÃE DA MISERICÓRDIA!

III. QUÃO GRANDE DEVE SER NOSSA CONFIANÇA EM MARIA, QUE É A RAINHA DA MISERICÓRDIA


Meditação noturna:  A PRÁTICA DO AMOR DE JESUS CRISTO  

IX. QUANTO JESUS CRISTO MERECEMS PARA SER AMADO POR NÓS POR CAUSA DO AMOR QUE ELE NOS DEMONSTROU AO INSTITUIR O SANTÍSSIMO SACRAMENTO DO ALTAR

Meditação I:
     São Bernardo chama a Eucaristia de "o amor dos amores"; porque esse dom compreende todos os outros dons concedidos a nós por nosso Senhor - criação, redenção, predestinação à glória - de modo que a Eucaristia não é apenas um penhor do amor de Jesus Cristo, mas do Paraíso, que Ele também deseja nos dar. "Neste Banquete Divino", diz a Igreja, "nos é dado um penhor da glória futura". Por isso, São Filipe Néri não conseguiu encontrar outro nome para Jesus Cristo nesse Sacramento, a não ser o de AmorE assim, quando o Santo Viático lhe foi levado, ele exclamou: "Eis o meu Amor! Dê-me o meu Amor!"
     O profeta Isaías desejava que o mundo inteiro conhecesse as ternas invenções de que nosso Deus se valeu para fazer com que os homens O amassem. E quem poderia ter pensado - se Ele mesmo não o tivesse feito - que o Verbo Encarnado se esconderia sob a aparência de pão, a fim de se tornar Ele mesmo nosso Alimento? "Não parece loucura", diz Santo Agostinho, "dizer: Comam a Minha Carne; bebam o Meu Sangue?" Quando Jesus Cristo revelou a Seus discípulos o Sacramento que desejava deixar-lhes, eles não puderam acreditar Nele; e O abandonaram, dizendo: Como pode este homem dar-nos a sua carne a comer? Esta palavra é dura, e quem a pode ouvir? — (John vi. 53, 61).  But that which men could neither conceive nor believe the great love of Jesus Christ hath thought of and accomplished.  Tomai e comeiEle disse aos Seus discípulos antes de morrer e, por meio deles, a todos nós. Recebei e comei; mas que alimento será esse, ó Salvador do mundo, que desejais dar-nos antes de morrer?  Tomai e comei; isto é o meu corpo. Este não é um alimento terreno; sou eu mesmo que me entrego inteiramente a vocês.     

Meditação II:
     And oh, with what desire does Jesus Christ pant to come into our souls in the Holy Communion!  With desire I have desired to eat this pasch with you before I suffer. — (Luke xxii. 15).  So He spoke on that night in which He instituted this Sacrament of love.  With desire I have desired: so did the excessive love He bore us cause Him to speak, as St. Laurence Justinian remarks: “These are the words of most burning love.”  And in order that every one might easily receive Him, He desired to leave Himself under the appearance of bread; for if He had left Himself under the appearance of some rare or very costly food, the poor would have been deprived of Him: but no, Jesus would hide Himself under the form of bread, which costs but little, and can be found everywhere, in order that all in every country might be able to find Him and receive Him.

Meditação matinal:  A MORTE DE JESUS CRISTO NOSSA ESPERANÇA

     Jesus é a única esperança de nossa salvação.  Não há salvação em nenhum outro lugar. - (Atos iv., 12). Oh, que lugar seguro de refúgio encontraremos nessas fendas sagradas da rocha, ou seja, nas Chagas de Jesus Cristo! Ali seremos libertados do sentimento de desconfiança que a visão de nossos pecados pode produzir. Lá encontraremos armas de defesa contra as tentações; lá encontraremos força suficiente para resistir aos ataques do mundo.

Meditação I:
     Jesus é a única esperança de nossa salvação: Não há salvação em nenhum outro além dele. - (Atos iv., 12). Eu sou a única porta, diz Ele; e aquele que entrar por Mim, certamente encontrará a vida eterna: Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo. - (João x., 9). E que pecador poderia ter esperança de perdão se Jesus não tivesse, por meio de Seu sangue e de Sua morte, satisfeito a justiça divina por nós?  Ele levará as iniquidades deles. - (Is. liii.). É por isso que o apóstolo nos encoraja, dizendo: Se o sangue de bodes e de bois santifica os contaminados para a purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que, por meio do Espírito Santo, se ofereceu a si mesmo a Deus, purificará nossa consciência das obras mortas para servir ao Deus vivo! - (Heb. ix., 13). Se o sangue de bodes e touros oferecido em sacrifício removia dos judeus as impurezas externas do corpo, para que pudessem ser admitidos na adoração do Santuário, quanto mais o Sangue de Jesus Cristo, que por amor se ofereceu como satisfação por nós, removerá o pecado de nossas almas para nos capacitar a servir ao nosso Deus Altíssimo!
     Nosso amado Redentor, tendo vindo ao mundo com o único propósito de salvar os pecadores, e vendo a sentença de condenação já registrada contra nós por nossos pecados, o que foi que Ele fez? Ele, por Sua própria morte, pagou a penalidade que nos era devida; e com Seu próprio sangue, cancelando a sentença de condenação, a fim de que a justiça divina não pudesse mais buscar de nós a satisfação devida, Ele a pregou na mesma cruz em que morreu: Apagando o escrito do decreto que era contra nós, o qual nos era contrário. E tirou-o do caminho, fixando-o na cruz. - (Col. ii., 14).
     Cristo entrou uma vez no lugar santo, tendo alcançado a redenção eterna. - (Heb. ix., 12). Ah, meu Jesus, se não tivesses encontrado esse modo de obter perdão para nós, quem poderia encontrá-lo? Foi com razão que Davi clamou, Declare seus caminhos. - (Sl. ix., 12). Dai a conhecer, ó bem-aventurados, os artifícios de amor que nosso Deus empregou para nos salvar. Desde então, ó meu doce Salvador, que tendes tanto amor por mim, não cesseis de exercer misericórdia para comigo. Tu, com Tua morte, me resgataste das mãos de Lúcifer; em Tuas mãos entrego minha alma; cabe a Ti salvá-la: Em tuas mãos entrego o meu espírito; tu me redimiste, ó Deus da verdade.

Meditação II:
     


Leitura espiritual:  SALVE REGINA, MATER MISERICORDIAE! SALVE, RAINHA SANTA, MÃE DA MISERICÓRDIA!

IV. QUANTO NOSSA CONFIANÇA EM MARY DEVE SER AUMENTADA PORQUE ELA É NOSSA MÃE

     Não é sem sentido, nem por acaso, que os clientes de Mary a chamam de Mãe; e, de fato, eles parecem incapazes de invocá-la com qualquer outro nome, e nunca se cansam de chamá-la de Mãe. Mãe, sim! Pois ela é verdadeiramente nossa Mãe; não de fato carnal, mas espiritualmente, isto é, de nossas almas e de nossa salvação.
     O pecado, ao privar nossas almas da graça divina, privou-as também da vida. Jesus, nosso Redentor, com um excesso de misericórdia e amor, veio para restaurar essa vida por meio de Sua própria morte na cruz, como Ele mesmo declarou: Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância. - (João x., 10). Ele diz mais abundantementepois, de acordo com os teólogos, o benefício da Redenção excedeu em muito o dano causado pelo pecado de Adão. Assim, ao nos reconciliar com Deus, Ele se tornou o Pai das almas na lei da graça, como foi predito pelo profeta Isaías: Ele será chamado o Pai do mundo vindouro, o Príncipe da Paz. - (Is. ix., 6). Mas se Jesus é o Pai de nossas almas, Maria é também sua Mãe; pois ela, ao nos dar Jesus, nos deu a verdadeira vida; e depois, ao oferecer a vida de seu Filho no Monte Calvário para nossa salvação, ela nos trouxe à vida da graça.
     Em duas ocasiões, então, de acordo com os santos Padres, Maria se tornou nossa Mãe espiritual.
     A primeira, de acordo com o Beato Alberto Magno, foi quando ela mereceu conceber em seu ventre virginal o Filho de Deus. São Bernardino de Sena diz a mesma coisa mais claramente, pois ele nos conta "que quando na Anunciação a Santíssima Virgem deu o consentimento que era esperado pelo Verbo Eterno antes de se tornar seu Filho, ela desde aquele momento pediu a nossa salvação a Deus com intenso ardor, e levou isso a sério de tal forma que a partir daquele momento, como uma mãe muito amorosa, ela nos trouxe em seu ventre".
     No segundo capítulo de São Lucas, o evangelista, falando do nascimento de nosso Santíssimo Redentor, diz que Maria deu à luz seu filho primogênito - (Lucas ii., 7). Então, observa um autor, "já que o evangelista afirma que nessa ocasião a Santíssima Virgem deu à luz seu primogênito, devemos supor que ela teve depois outros filhos? Mas então ele responde à sua própria pergunta, dizendo, "que como é de fé que Maria não teve outros filhos segundo a carne além de Jesus, ela deve ter tido outros filhos espirituais, e nós somos esses filhos". Isso foi revelado por nosso Senhor a Santa Gertrudes, que um dia estava lendo o texto acima, e ficou perplexa e não conseguia entender como Maria, sendo a Mãe de Jesus apenas, poderia ter dado à luz seu primogênito. Deus explicou a ela, dizendo que Jesus era o primogênito de Maria de acordo com a carne, mas que toda a humanidade era seu segundo filho de acordo com o espírito.
     Pelo que foi dito, podemos entender essa passagem dos Cânticos sagrados: O teu ventre é como um monte de trigo, cercado de lírios. - (Cant. vii., 2). Isso é explicado por Santo Ambrósio, que diz: "Embora no ventre puríssimo de Maria houvesse apenas um grão de milho, que era Jesus Cristo, ainda assim ele é chamado de monte de trigo, porque todos os eleitos estavam virtualmente contidos nele"; e como Maria também deveria ser a Mãe deles, ao dar à luz Jesus, Ele foi chamado, e realmente foi, o Primogênito de muitos irmãos. E o abade William escreve no mesmo sentido, dizendo: "que Maria, ao dar à luz Jesus, nosso Salvador e nossa Vida, trouxe muitos para a salvação; e ao dar à luz a própria Vida, ela deu vida a muitos".


Meditação noturna:  A PRÁTICA DO AMOR DE JESUS CRISTO  

X. QUANTO JESUS CRISTO MERECEMS PARA SER AMADO POR NÓS POR CAUSA DO AMOR QUE ELE NOS DEMONSTROU AO INSTITUIR O SANTÍSSIMO SACRAMENTO DO ALTAR

Meditação I:
     Para nos motivar a recebê-Lo na Santa Comunhão, Jesus não apenas nos exorta a fazê-lo por meio de muitos convites Venham, comam o meu pão e bebam o vinho que preparei para vocês - (Prov. ix., 5); Comam, amigos, e bebam - (Cant. v., 1) - falando desse Pão e Vinho Celestiais - mas Ele até nos dá um preceito formal: Tomai e comei; isto é o meu corpo. E mais do que isso, para que possamos ir e recebê-Lo, Ele nos seduz com a promessa do Paraíso.  Quem come a minha carne tem a vida eterna. - (John vi., 55).  Quem comer deste pão viverá para sempre. - (João vi., 59). E, ainda mais, Ele nos ameaça com o inferno e a exclusão do Paraíso se nos recusarmos a nos comunicar.  Se não comerdes a carne do Filho do Homem, não tereis vida em vós. - (João vi., 54). Esses convites, essas promessas, essas ameaças, tudo procede do grande desejo que Ele tem de vir a nós nesse Sacramento.
     Mas por que Jesus deseja tanto que O recebamos na Santa Ceia? Eis a razão. São Denis diz que o amor sempre suspira e tende à união; e assim também diz São Tomás: "Os amantes desejam tornar-se um". Os amigos que realmente se amam gostariam de estar tão unidos a ponto de se tornarem uma só pessoa. Ora, foi isso que o infinito amor de Deus pelo homem fez: Ele não apenas nos deu a Si mesmo no reino eterno, mas também nesta vida permitiu que os homens O possuíssem na mais íntima união, dando-lhes a Si mesmo, inteiro e completo, sob a aparência de pão neste Sacramento. Ele fica como se estivesse atrás de uma parede e olha, por assim dizer, através de uma grade fechada: Eis que ele está atrás de nossa parede, olhando através das janelas, olhando através das grades. - (Cant. ii., 9). É verdade que não O vemos; mas Ele nos vê, e está realmente presente: Ele está presente para que possamos possuí-lo, mas se esconde de nós para que o desejemos; e enquanto não tivermos alcançado nossa verdadeira pátria, Jesus deseja se entregar totalmente a nós e permanecer unido a nós.

Meditação II:      

Meditação matinal:  A CARIDADE DE MARIA PARA COM SEU PRÓXIMO

     Todos os que Me amam amam o que Eu amo, disse Jesus a Santa Catarina de Gênova. Ora, assim como nunca houve e nunca haverá alguém que amou a Deus tanto quanto Maria O amou, também nunca houve e nunca haverá alguém que amou o próximo tanto quanto ela. Grande era a misericórdia de Maria para com os miseráveis quando ela era uma exilada aqui na Terra, mas muito maior é agora que ela reina no Céu.

Meditação I:
     O amor a Deus e o amor ao próximo são ordenados pelo mesmo preceito: E temos este mandamento de Deus: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão. - (1 João iv., 21). São Tomás diz que a razão para isso é que aquele que ama a Deus ama tudo o que ama. Santa Catarina de Gênova disse um dia: "Senhor, Tu queres que eu ame meu próximo, e não posso amar ninguém além de Ti". Deus lhe respondeu com estas palavras: "Todos os que Me amam amam o que Eu amo." Mas assim como nunca houve, e nunca haverá, alguém que ame a Deus tanto quanto Maria O amava, também nunca houve, e nunca haverá, alguém que ame o próximo tanto quanto ela.
     Padre Cornelius à Lapide, sobre estas palavras dos Cânticos, O rei Salomão fez para ele uma liteira de madeira do Líbano (...) e cobriu o meio dela com caridade para as filhas de Jerusalém - (Cant. iii., 9, 10), diz que "essa maca era o seio de Maria, no qual o Verbo Encarnado habitava, enchendo-a de caridade para com as filhas de Jerusalém; pois Cristo, que é o próprio amor, inspirou a Santíssima Virgem com caridade em seu mais alto grau, para que ela pudesse socorrer todos os que recorressem a ela".
     Tão grande era a caridade de Maria quando estava na Terra que ela socorria os necessitados sem sequer ser solicitada, como aconteceu na festa de casamento de Caná, quando ela contou ao Filho a aflição daquela família, Eles não têm vinho - (João 2:3) e pediu-Lhe que fizesse um milagre. Oh, com que rapidez ela voava quando se tratava de aliviar seu próximo! Quando ela foi à casa de Isabel para cumprir um dever de caridade, ela foi para a região montanhosa com pressa. - (Lucas I., 39). Ela não poderia, entretanto, demonstrar mais plenamente a grandeza de sua caridade do que o fez na oferta que fez de seu Filho à morte para nossa salvação. Sobre esse assunto, São Boaventura diz: "Maria amou tanto o mundo a ponto de dar seu Filho unigênito". Por isso, Santo Anselmo exclama: "Ó bendita entre as mulheres, tua pureza supera a dos Anjos, e tua compaixão a dos Santos!" "Nem esse amor de Maria por nós", diz São Boaventura, "diminuiu agora que ela está no Céu; mas aumentou, pois agora ela vê melhor as misérias dos homens". E, portanto, o Santo continua a dizer: "Grande era a misericórdia de Maria para com os infelizes quando ela ainda estava no exílio na terra; mas muito maior é agora que ela reina no céu."
     Ó Mãe de misericórdia, você era toda cheia do amor de Deus, obtenha para mim Seu amor puro e santo. Vós fostes toda amorosa para com o próximo, obtende-me caridade para com o próximo. Ó Maria, faça de mim um santo.

Meditação II:
     


Leitura espiritual:  SALVE REGINA, MATER MISERICORDIAE! SALVE, RAINHA SANTA, MÃE DA MISERICÓRDIA!

V. QUANTO NOSSA CONFIANÇA EM MARY DEVE SER AUMENTADA PORQUE ELA É NOSSA MÃE

     A segunda ocasião em que Maria se tornou nossa Mãe espiritual e nos trouxe à vida da graça foi quando ofereceu ao Pai Eterno a vida de seu amado Filho no Monte Calvário, com tão amarga dor e sofrimento. Assim, Santo Agostinho declara que "como ela então cooperou com seu amor no nascimento dos fiéis para a vida da graça, ela se tornou a Mãe espiritual de todos os que são membros da única Cabeça, Cristo Jesus". Isso nos é dado a entender pelo seguinte versículo dos sagrados Cânticos, que se refere à Santíssima Virgem: Fizeram-me guardião das vinhas; não guardei a minha vinha. - (Cant. i., 5). São Guilherme diz que "Maria, a fim de salvar muitas almas, expôs a sua própria à morte", o que significa que, para nos salvar, ela sacrificou a vida de seu Filho. E quem, além de Jesus, era a alma de Maria? Ele era sua vida e todo o seu amor. Por isso, o profeta Simeão predisse que uma espada de tristeza um dia transpassaria sua própria alma mais abençoada. - (Lucas ii., 35). E foi exatamente essa a lança que transpassou o lado de Jesus, que era a alma de Maria. Foi então que essa Santíssima Virgem nos levou, por meio de suas dores, à vida eterna, e assim todos nós podemos nos considerar filhos das dores de Maria. Nossa amorosíssima Mãe esteve sempre, e em todas as coisas, unida à vontade de Deus. "E, portanto", diz São Boaventura, "quando ela viu que o amor do Pai Eterno para com os homens era tão grande que, para salvá-los, Ele quis a morte de Seu próprio Filho; e, além disso, vendo o amor do Filho para com a raça humana, ela também com toda a sua vontade ofereceu e consentiu na morte de seu Filho, para que pudéssemos ser salvos".
     É verdade que, de acordo com a profecia de Isaías, Jesus, ao morrer pela redenção da raça humana, escolheu ficar sozinho.  Eu pisei o lagar sozinho - (Is. lxiii., 3), mas, vendo o ardente desejo de Maria de ajudar na salvação do homem, Ele dispôs que ela, pelo sacrifício e oferta da vida de seu Jesus, deveria cooperar em nossa salvação, tornando-se assim a Mãe de nossas almas. Isso nosso Salvador significou quando, antes de morrer, olhou da cruz para sua mãe e para o discípulo São João, que estava aos pés dela, e, dirigindo-se primeiro a Maria, disse Veja seu filho - (João xix., 26); como se estivesse dizendo: Eis que todo o gênero humano, que pela oferta que fazes da minha vida para a salvação de todos, está agora mesmo nascendo para a vida da graça. Depois, voltando-se para o discípulo, Jesus disse, Contemplem sua mãe. - (João xix., 27). "Por estas palavras", diz São Bernardino de Sena, "Maria, em razão do amor que lhes tinha, tornou-se a Mãe, não só de São João, mas de todos os homens." E Silveira observa que o próprio São João, ao expor esse fato em seu Evangelho, diz: "Depois disso, disse ao discípulo Contemplem sua mãe." Aqui, observe bem que Jesus Cristo não se dirigiu a São João, mas aos discípulopara mostrar que Ele então deu Maria a todos os que são Seus discípulosou seja, a todos os cristãos, para que ela pudesse ser a Mãe deles. "João é apenas o nome de um, enquanto a palavra discípulo se aplica a todos; portanto, nosso Senhor faz uso de um nome comum a todos, para mostrar que Maria foi dada como Mãe a todos."
     A Igreja aplica a Maria essas palavras dos Cânticos sagrados: Eu sou a mãe do amor justo - (Ecclus. xxiv., 24); e um comentarista que os explica diz que o amor da Santíssima Virgem torna nossas almas belas aos olhos de Deus, e também faz com que ela, como uma mãe amorosíssima, nos receba como seus filhos, "sendo ela toda amorosa para com aqueles que ela assim adotou". E que mãe, exclama São Boaventura, ama seus filhos e cuida de seu bem-estar como vós nos amais e cuidais de nós, ó dulcíssima Rainha! "Pois você não nos ama e busca nosso bem-estar muito mais, sem comparação, do que qualquer mãe terrena?"


Meditação noturna:  A PRÁTICA DO AMOR DE JESUS CRISTO  

XI. QUANTO JESUS CRISTO MERECEMS PARA SER AMADO POR NÓS POR CAUSA DO AMOR QUE ELE NOS DEMONSTROU AO INSTITUIR O SANTÍSSIMO SACRAMENTO DO ALTAR

Meditação I:
      "Era Teu desejo, em suma", diz São Lourenço Justiniano, "ó Deus, enamorado de nossas almas, fazer, por meio deste Sacramento, Teu próprio Coração, por uma união inseparável, um e o mesmo coração com o nosso!" São Bernardino de Sena acrescenta que "o dom de Jesus Cristo a nós como nosso alimento foi o último passo de Seu amor, pois Ele se dá a nós para se unir totalmente a nós, da mesma forma que o alimento se une àquele que dele participa". Oh, como Jesus Cristo se deleita em unir-se a nossas almas! Ele disse um dia à Sua amada serva, Margarida de Ypres, após a comunhão: "Veja, minha filha, a bela união que existe entre mim e você! Venha, então, me amar; e permaneçamos sempre unidos no amor, e nunca mais nos separemos".
     Devemos, então, estar persuadidos de que uma alma não pode fazer, ou pensar em fazer, qualquer coisa que dê maior prazer a Jesus Cristo do que comunicar-se frequentemente com disposições adequadas ao Hóspede que ela tem que receber em seu coração. Eu disse adequadoDe fato, não digno pois, se fosse necessário ser digno, quem poderia se comunicar? Somente outro Deus seria digno de receber Deus. Por adequado, quero dizer disposições tais como se tornar uma criatura miserável vestida com a carne infeliz de Adão. Em geral, é suficiente que a pessoa se comunique em um estado de graça e com um grande desejo de crescer no amor de Cristo. São Francisco de Sales disse: "É somente pelo amor que devemos receber Jesus Cristo na Comunhão, pois é somente pelo amor que Ele se dá a nós." Quanto ao resto, no que diz respeito ao número de vezes que uma pessoa deve se comunicar, ela deve ser guiada pelo conselho de seu pai espiritual. No entanto, devemos estar cientes de que nenhum estado de vida ou de emprego, nem o estado de casado nem o de empresário, impede a comunhão frequente, quando o diretor considera aconselhável, como o Papa Inocêncio XI declarou em seu Decreto de 1679, quando diz: "A comunhão frequente deve ser deixada ao julgamento dos confessores ... que, para os leigos em negócios ou no estado de casado, devem recomendá-la de acordo com o que eles veem que será rentável para a sua salvação." *

* "A comunhão frequente e diária, na medida em que é mais agradável a Cristo Nosso Senhor e à Igreja Católica, está aberta a todos os fiéis de todas as classes e condições; de modo que ninguém que esteja em estado de graça e se aproxime da Sagrada Mesa com uma intenção pura e devota deve ser proibido de participar dela.
     "A intenção correta consiste nisto: - Que quem quer que se aproxime da Mesa Sagrada o faça - não por hábito ou vanglória, ou impelido por respeito humano, mas pelo desejo de agradar a Deus, e de estar intimamente unido a Ele, e de prover um remédio Divino para suas enfermidades e defeitos.
     "Para que a comunhão cotidiana seja promovida com maior prudência e resultados mais frutíferos, é necessário que se obtenha previamente o conselho do confessor. Que os confessores tomem cuidado, no entanto, para que não persuadam ninguém da comunhão diária que esteja em estado de graça e se aproxime dela com uma intenção correta..."
- Extrato do Decreto da Sagrada Congregação do Concílio sobre a Recepção da Comunhão Diária que foi graciosamente ratificado, confirmado e ordenado a ser emitido por Sua Santidade o Papa Pio X, em 17 de dezembro de 1905.

Meditação II: